Senhores acionistas,

O desempenho da BRF no terceiro trimestre de 2014 demonstra a consistência dos resultados da Companhia, obedecendo ao ritmo de progresso em rampa que planejamos e fruto da revisão estrutural que começamos a implantar há um ano. Eliminamos redundâncias, obtivemos maior eficiência e ganhamos agilidade no processo decisório, numa gestão estruturada, que se reflete no resultado operacional que agora apresentamos.

No Brasil, o projeto go-to-market já possibilitou ampliarmos nossa rede de clientes e potencializarmos as oportunidades de vendas das nossas marcas. O incremento do volume vendido no 3T14 é consequência deste trabalho. Paralelamente, conquistamos melhorias significativas no nosso nível de serviço que, quando medido pelo índice OTIF (on time, in full), apresentou um importante incremento de 13 pontos percentuais em relação ao início do ano.

Nossos lançamentos recentes da marca Sadia, como o Assa Fácil e a linha Soltíssimo, continuam tendo boa resposta dos consumidores. Também tivemos o lançamento da nova campanha de salsichas Perdigão, marca com a qual estamos entusiasmados, especialmente em função da perspectiva de seu retorno em determinadas categorias no próximo ano, seguindo as determinações e prazos estabelecidos pelo CADE quando da aprovação da fusão.

No mercado Internacional, o desempenho foi especialmente sólido neste trimestre e em linha com o conjunto de ações implementadas no decorrer do ano, como otimização de volumes, rentabilização dos principais mercados, assim como a estratégia de aquisição de distribuidores no Oriente Médio. Outras melhorias operacionais relevantes no mercado Internacional incluíram redução de fretes marítimos, melhor faseamento dos embarques durante o mês e melhor mix de mercados. Ressaltamos que todas estas ações nos trazem a confiança de que o bom resultado do 3T14 é, em sua maior parte, estrutural.

Vale lembrar, também, que concluímos as obras da fábrica de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A inauguração oficial, no dia 26 de novembro, celebrará a expansão da Companhia rumo a mercados estratégicos e, acima de tudo, do nosso empenho em transformá-la em uma organização com atuação global.

O 3T14 também foi marcado pela celebração, junto à Parmalat S.p.A., empresa pertencente ao Groupe Lactalis, de um memorando de entendimentos de caráter vinculante estabelecendo os termos e condições para a alienação do negócio de Lácteos, por R$1,8 bilhão. Esperamos que esta venda seja finalizada durante o primeiro semestre de 2015 e não antevemos um impacto relevante nos resultados. Essa operação integra, juntamente com a venda de bovinos, finalizada no dia 1 de outubro, a estratégia de desinvestimento de ativos que não fazem parte do nosso core business, em linha com nosso objetivo de contínua melhoria do retorno sobre o capital investido da Companhia.

O Conselho de Administração também aprovou, em 25 de setembro, o nome de Pedro Faria para o cargo de Diretor Presidente Global da Companhia, com efetividade a partir de 2 janeiro de 2015, quando Claudio Galeazzi deixará o cargo. Pedro Faria tem se dedicado à transição do comando da Companhia com apoio do Conselho e do corpo de executivos, e é credenciado pelos resultados que apresentou à frente de nossas operações internacionais, além de sua trajetória como conselheiro da BRF por três anos.

A BRF que entregaremos neste trimestre é também uma Companhia que caminha para uma cultura única, com identidade e valores bem definidos, baseada na meritocracia, no amor de dono, no foco em resultados, na dedicação aos clientes e consumidores e no trabalho em equipe. Uma empresa estruturada para apresentar os resultados crescentes que propusemos e para entregar novos e ainda mais ambiciosos passos.

Abilio Diniz

Presidente do Conselho
de Administração

Cláudio Galeazzi

Diretor Presidente
Global

Destaques 3º Trimestre 2014 (3T14)

Destaques Estratégicos

  • Após o roll out no 1S14 da consolidação da força de vendas no pequeno varejo, fase inicial da estratégia de go-to-market (GTM) no Brasil, o volume vendido na região iniciou sua trajetória de crescimento. No 3T14, houve incremento de 3,4% a/a e 8,6% t/t, já excluindo o impacto de vendas diversas.
  • Este resultado também reflete o processo de melhoria do nível de serviço da Companhia que, quando medido pelo índice OTIF (on time, in full), apresentou um importante incremento de 13 pontos percentuais em relação ao início do ano.
  • O projeto de racionalização de portfólio foi concluído, com a eliminação da produção de 35,0% dos SKUs (stock keeping unit, ou itens) do Brasil e de 32,0% do mercado internacional, favorecendo a simplificação de processos da Companhia.
  • No mercado internacional, nossas estratégias de otimização de volumes e melhoria da rentabilidade dos mercados continuam gerando resultados positivos. No 3T14, houve melhora estrutural do resultado operacional.

Destaques Financeiros e Transações Recentes

  • O Orçamento Base Zero (OBZ) continua impactando positivamente os resultados da Companhia, com redução de custos e despesas no 3T14 ante ao 3T13 e ao 2T14, tanto em termos absolutos quanto em termos relativos.
  • O EBITDA da Companhia atingiu R$1,2 bilhão, +61,3% a/a e +21,3% t/t, resultando em margem de 15,2%, ante 9,9% no 3T13 e 13,0% no 2T14.
  • O lucro líquido foi de R$624 milhões, +117,5% a/a e +133,7% t/t, com margem de 7,8%, ante 3,8% no 3T13 e 3,5% no 2T14.
  • Os investimentos realizados no 3T14 totalizaram R$512 milhões, com crescimento de 35,6% a/a. No acumulado do ano foram investidos R$1,3 bilhão, abaixo dos R$1,4 bilhão investidos no mesmo período de 2013. Continuamos a direcionar os investimentos para automação, logística, e sistemas (TI).
  • A Companhia encerrou o trimestre com dívida líquida sobre EBITDA (últimos doze meses) de 1,40x, ante 1,51x no 2T14.
  • Celebramos, em 03.09.2014, com a Parmalat S.p.A., empresa pertencente ao Groupe Lactalis, um memorando de entendimentos de caráter vinculante estabelecendo os termos e condições para a alienação do negócio de Lácteos, por R$1,8 bilhão. A Companhia não prevê um impacto relevante nos seus resultados advindos desta venda, que deve se concretizar no primeiro semestre de 2015 (vide Nota Explicativa 1.2 do ITR de 30.09.2014 e Fato Relevante de 03.09.2014).
  • Concluímos a venda das duas plantas de abate de bovinos e, em 01.10.2014, passamos a deter 29.000.000 de ações de emissão da Minerva, ou aproximadamente 16,29% do seu capital social total e votante.

Obs.: o termo "a/a" refere-se à análise 3T14/3T13, enquanto "t/t" refere-se a 3T14/2T14.


Resultados BRF S.A.

  • Receita Operacional Líquida (ROL)

No 3T14, a ROL consolidada atingiu R$8,0 bilhões, +5,3% a/a, impulsionada pelo Brasil, devido a um maior crescimento de volumes no país. Na comparação t/t, houve incremento de ROL de 3,8%.

  • Brasil

Os resultados de Brasil no 3T14 refletem os primeiros efeitos dos nossos projetos neste mercado: a consolidação da força de vendas no pequeno varejo, finalizada em maio, a simplificação de processos por meio do corte de SKUs, assim como a melhora gradual do nível de serviço já começam a se traduzir em receitas superiores. A BRF já conta com uma aceleração no número de pontos de vendas atingidos (+22,0% desde o final de 2013), assim como maior venda cruzada entre as marcas. Mantemos nossa expectativa de aceleração da captura de resultados dos projetos supramencionados ao longo deste e dos próximos anos.

No 3T14, a ROL Brasil atingiu R$3,5 bilhões, +8,0% a/a, impulsionada por um crescimento de volumes de 5,2% a/a, principalmente devido ao bom desempenho no pequeno varejo. Na comparação t/t, houve incremento de ROL de 4,2%, com volumes também superiores em 4,5%. Ressaltamos que no 3T14 mantivemos preços relativamente estáveis em relação ao 2T14.

Se expurgarmos as vendas diversas da análise, os números do trimestre refletem melhor o real cenário do Brasil, com ROL de R$3,2 bilhões, +8,5% a/a e +5,8% t/t, impulsionada por um crescimento de volumes de +3,4% a/a e +8,6% t/t. Importante ressaltar que tais resultados foram conquistados mesmo com um cenário varejista desafiador, especialmente no que tange as grandes redes.

Em relação ao market share, a BRF mantém ampla liderança nas categorias de Industrializados de Carne, Congelados, Pizza e Margarinas (core businesses). A Companhia manteve a decisão de preservar rentabilidade e seguir com a estratégia de crescimento estruturado.

  • Internacional

No trimestre, o segmento suíno apresentou forte elevação nos preços devido à redução de oferta do produto na América do Norte, causada principalmente pelo vírus PED. O segmento bovino também manteve a tendência de alta nos preços devido ao ciclo do boi. Por fim, o segmento aviário foi influenciado pelos altos valores das proteínas substitutas e, igualmente, apresentou alta nos preços. Vale ressaltar que a sanção russa imposta aos EUA, UE, Canadá, Austrália e Noruega, impactou diretamente o fluxo de comércio e o preço das proteínas no cenário internacional no final do trimestre.

Neste contexto, nossas estratégias de otimização de volumes e melhoria da rentabilidade dos mercados continuam gerando resultados positivos. No 3T14, houve melhora estrutural de resultados (tanto a/a quanto t/t) em todas as regiões, com exceção das Américas, mais especificamente Venezuela, para onde reduzimos o volume vendido, e da Eurásia, dado que nossas plantas estavam banidas de exportarem para a Rússia até o final de agosto (mais detalhes a seguir).

No 3T14, a ROL Internacional atingiu R$3,4 bilhões, +3,8% a/a, impulsionada por um preço médio em reais 12,9% mais alto a/a (+13,7% a/a em dólares), apesar de o volume vendido ter caído 8,0% a/a. Na comparação t/t, houve incremento de ROL de 2,5%, devido a um preço médio em reais 0,5% mais alto t/t (-1,5% t/t em dólares) e volumes ligeiramente superiores (+1,9% t/t).

Abaixo comentários sobre os principais mercados da BRF:

  • Oriente Médio: O volume vendido atingiu 236 mil toneladas, +10,0% a/a (+6,6% t/t), enquanto a ROL foi de R$1,3 bilhão, +18,3% a/a (+8,2% t/t). A melhora pode ser explicada devido à maior participação da Companhia em mercados importantes como Arábia Saudita, Kuwait, Omã e Iêmen.
  • Ásia: O volume vendido foi de 133 mil toneladas, +4,0% a/a (+7,8% t/t), enquanto a ROL foi de R$827 milhões, +26,4% a/a (+13,6% t/t). Tal aumento pode ser explicado pelos estoques mais ajustados no Japão, o que possibilitou a estabilização de preços, bem como à melhoria do preço médio nos outros mercados da região.
  • Europa: O volume vendido foi de 68 mil toneladas, com queda de 7,7% a/a (+3,4% t/t), enquanto a ROL totalizou R$585 milhões, +12,0% a/a (+2,4% t/t). O momento positivo vivido neste mercado, além da oferta e demanda ajustada, tem configurado boas oportunidades à Companhia em termos de preços médios.
  • Eurásia: O volume vendido para a região foi de 13 mil toneladas, representando uma queda de 64,7% a/a (-41,2% t/t), impactando negativamente a ROL, que totalizou R$147 milhões, queda de 41,0% a/a (-38,7% t/t). Em junho, o governo russo baniu a importação de suínos de nossas plantas, situação que permaneceu como tal durante praticamente o trimestre inteiro, justificando a acentuada queda de volume para a região no período. Posteriormente, em agosto, a Rússia baniu a importação de produtos de frango, suínos e bovinos, entre outros, dos EUA, UE, Canadá, Austrália e Noruega, o que gerou grandes elevações de preços no país. Como alternativa para suas importações, o país habilitou diversas plantas brasileiras para exportação de suínos e aves, inclusive da BRF. Assim, vale ressaltar que a Companhia começou a redirecionar volumes para tal país somente em setembro, quando tivemos nossas plantas habilitadas.
  • África: O volume vendido atingiu 58 mil toneladas, com queda de 7,9% a/a (+19,0% t/t), explicado pela estratégia de otimização de volumes. A ROL da região foi de R$241 milhões, +4,1% a/a (+20,7% t/t).
  • Américas: O volume vendido foi de 63 mil toneladas, com queda de 39,1% a/a (-19,2% t/t), impactando negativamente a ROL, que totalizou R$387 milhões, um decréscimo de 35,1% a/a (-15,4% t/t). As reduções são explicadas pela estratégia de redução de embarques para a Venezuela.

  • Lácteos

No 3T14, a ROL de Lácteos atingiu R$767 milhões, +0,9% a/a, impulsionada por uma elevação de preço médio de 9,0% a/a. O volume foi 7,5% menor a/a explicado pela estratégia de rentabilização do mix de vendas. Na comparação t/t, houve incremento de ROL de 9,2%, devido a um incremento de volume de 7,2%, assim como uma elevação de preço médio de 1,8%.

  • Food Services

Os resultados de Food Services no 3T14 refletem recuperação de receita, impulsionada por maiores volumes conquistados devido à melhor execução por parte da Companhia. Notamos, contudo, um cenário de preços ainda desafiador por conta do atual patamar da inflação no item de alimentação fora do lar. Vale ressaltar, ainda, que o preço médio da Companhia também foi impactado pela mudança de mix de produtos visando a rentabilização do negócio, traduzido principalmente pelo menor volume de bovinos in natura.

No 3T14, a ROL de Food Services atingiu R$389 milhões, +3,9% a/a, impulsionada por um incremento de volumes de 3,0% a/a, em especial nas categorias de elaborados/processados, assim como uma elevação de preço médio de 0,9% a/a, principalmente nos produtos elaborados/processados. Na comparação t/t, houve incremento de ROL de 1,4%, devido a um incremento de volume de 3,9%, apesar de um decréscimo de preço médio em 2,5%.

Composição da ROL Consolidada (%)
(Trimestral)


2) Custo do Produto Vendido (CPV)

No 3T14, nosso CPV totalizou R$5,6 bilhões, representando 70,7% da ROL, ante 74,8% no 3T13 e 73,4% no 2T14. Todas as unidades de negócios contribuíram positivamente para tal resultado.

Em relação ao 3T13, o CPV apresentou queda de 0,4% a/a, influenciada por menores custos de grãos e captação de leite. Apesar da queda em termos absolutos, o CPV/kg apresentou leve incremento no período (+2,2% a/a), dado que nossos volumes foram 2,6% menores (vale ressaltar que, com a estratégia de redução de volumes a partir do final de 2013, os custos fixos das fábricas sofreram menor diluição).

Em relação ao 2T14, o CPV permaneceu estável em termos absolutos. Nosso custo/kg caiu 3,8% t/t, enquanto houve incremento de volumes de também 3,8% t/t. Custos que arrefeceram no período incluem custos de grãos e captação de leite.

Vale mencionar que o benefício da queda de grãos não foi totalmente capturado no período, principalmente no Brasil, onde nosso mix de produtos é constituído em sua maior parte por suínos ou é resultado do processamento desta matéria-prima, que possuem um ciclo mais longo. Já a cadeia de produção de aves, por possuir um ciclo mais curto, nos permitiu incorporar esse benefício ainda no 3T14.

  • Abate e Produção

O abate de aves no 3T14 teve queda de 6,4% a/a, refletindo a nossa estratégia de otimização de volumes, principalmente no mercado Internacional. Na comparação t/t, houve aumento de 8,2%. Já o abate de suínos/bovinos teve redução de 1,4% a/a, especialmente devido à nossa estratégia de desverticalizar o negócio de bovinos. Na comparação t/t, houve incremento de 2,1%.

No 3T14, produzimos 1,3 milhão de toneladas de alimentos, volume 3,7% menor a/a. No comparativo t/t, o volume registrado foi 8,1% maior.

3) Lucro Bruto

Conforme descrito anteriormente, a BRF está com resultados mais robustos, o que culminou em um lucro bruto de R$2,3 bilhões no 3T14, um crescimento de 22,3% a/a e 14,5% t/t. A margem bruta foi de 29,3% no 3T14, ante 25,2% no 3T13 e 26,6% no 2T14, resultado este que teve contribuição positiva de todas as unidades de negócios, em especial do mercado Internacional.

4) Despesas Operacionais

No 3T14, nossas despesas operacionais totalizaram R$1,2 bilhão, apresentando contínua queda no trimestre (-4,5% a/a e -1,0% t/t). Isso é consequência de uma melhor gestão de despesas (refletindo parte dos resultados obtidos com o OBZ*), e foi possível mesmo com maiores investimentos em marketing e trade marketing, prática que vem sendo adotada desde o início do ano.

Em termos percentuais, as despesas operacionais totalizaram 15,4% da ROL no 3T14, ante 17,0% no 3T13 e 16,2% no 2T14. Importante ressaltar que tais diluições de despesas puderam ser constatadas no Brasil, mercado Internacional, Lácteos e Food Services (em relação a Food Services, fazemos referência à comparação anual).

*O OBZ teve por objetivo revisar o orçamento de gastos da Companhia, priorizando de acordo com as atividades e processos essenciais para o negócio. No acumulado do período 9M14 já tivemos melhorias advindas desse projeto e, pelo menos até dezembro deste ano, ainda teremos melhorias adicionais a serem capturadas, tendo como principal alavanca a revisão do quadro de funcionários e despesas em estruturas administrativas que foram concluídas no 2T14.

5) Outros Resultados Operacionais

Na linha de outros resultados operacionais apresentamos uma despesa de R$213 milhões. Em relação ao 3T13, houve incremento de 37,1% a/a, principalmente devido a gastos com reestruturação e provisões diversas. Já em relação ao 2T14, o aumento foi de 81,1% t/t, principalmente devido ao fato de que, no 2T14 houve um ganho não recorrente referente à venda do ativo de suínos de Carambeí, o que fez com que os outros resultados operacionais fossem impactados positivamente naquele trimestre.

6) Resultado Operacional (EBIT)

No 3T14, o EBIT consolidado atingiu R$902 milhões, +94,3% a/a, com contribuição positiva de todas as unidades de negócios, em especial do mercado Internacional. A margem consolidada totalizou 11,3%, ante 6,1% no 3T13.

Na comparação t/t, houve incremento de EBIT de 30,5%, enquanto houve expansão de 2,3 p.p. na margem.

  • Brasil

O EBIT Brasil atingiu R$383 milhões, +39,2% a/a e -0,4% t/t, com margem de 11,1% ante 8,6% no 3T13 e 11,6% no 2T14. Vale ressaltar que o Brasil apresentou melhoras de custos e despesas, com exceção da linha de outros resultados operacionais, que dificultou a comparação de margem EBIT t/t (vide seção "Outros Resultados Operacionais").

  • Internacional

O EBIT Internacional atingiu R$413 milhões, +221,7% a/a e +61,7% t/t, com margem de 12,2% ante 4,0% no 3T13 e 7,8% no 2T14. Conforme mencionado anteriormente, no 3T14 houve melhora estrutural de resultado operacional em todas as regiões, com exceção das Américas (Venezuela) e da Eurásia (só passamos a nos beneficiar do impacto da abertura da Rússia para o Brasil no mês de setembro).

Em adição à decisão de otimização de volumes e aquisição de distribuidores no Oriente Médio, outras melhorias estruturais no mercado Internacional incluíram: importante redução de fretes marítimos, melhor faseamento dos embarques durante o mês (o que gera maior previsibilidade e economias) e melhor "mix" de mercados.

  • Lácteos

O EBIT de Lácteos atingiu R$68 milhões, +98,9% a/a e +160,2% t/t, com margem de 8,9% ante 4,5% no 3T13 e 3,7% no 2T14. Tal resultado foi influenciado por menores custos de captação de leite, maior eficiência e maior diluição de despesas.

  • Food Services

O EBIT de Food Services atingiu R$38 milhões, +43,0% a/a e +49,0% t/t, com margem de 9,9% ante 7,2% no 3T13 e 6,7% no 2T14. Tal resultado foi influenciado por menores custos de grãos, maior eficiência e maior diluição de despesas (em relação à diluição de despesas, nos referimos à comparação anual).

7) Financeiras Líquidas

As despesas financeiras líquidas somaram R$200 milhões no trimestre, +57,1% a/a, variação decorrente principalmente dos juros de arrendamentos mercantil financeiro e ajuste a valor presente. Em relação ao 2T14, houve queda de 49,3%, principalmente em decorrência da gestão de dívida de longo prazo da Companhia no 2T14 (recompra dos bonds).

A utilização de instrumentos financeiros não derivativos e derivativos para cobertura cambial possibilita reduções significativas na exposição líquida de balanço em moeda estrangeira. Ressaltamos que passamos de uma exposição cambial impactando resultado de US$37 milhões "comprados" no 2T14 para US$36 milhões "comprados" no 3T14; ou seja, permanecemos praticamente neutros em relação a tal exposição (vide Nota Explicativa 4.1.d).

Em 30.09.14, os instrumentos financeiros não derivativos designados como hedge accounting para cobertura cambial de fluxo de caixa somaram US$ 600 milhões. Em adição, os instrumentos financeiros derivativos designados como hedge accounting, no conceito cash flow hedge para cobertura das exportações altamente prováveis, atingiram, nas suas respectivas moedas, os valores de US$870 milhões, €74 milhões e £22 milhões. Esses instrumentos também contribuíram diretamente para a redução da exposição cambial. Em ambos os casos, o resultado não realizado de variação cambial foi contabilizado em outros resultados abrangentes.

8) Endividamento

O Endividamento Bruto Total conforme demonstrado acima contabiliza o endividamento total financeiro, no valor R$10.746,0 milhões, somado a outros passivos financeiros, no valor R$203,0 milhões, conforme Nota Explicativa 4.1.f do ITR de 30.09.2014.

A dívida líquida da Companhia ficou em R$5,4 bilhões, 5,5% acima da registrada em 30.06.14, resultando em uma dívida líquida sobre EBITDA (últimos doze meses) de 1,40x, ante 1,51x no 2T14. O aumento da dívida líquida t/t se deu principalmente por conta de pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) e variação cambial.


9) Investimentos (Capex)

Os investimentos realizados no trimestre totalizaram R$512 milhões, com crescimento de 35,6% a/a. Neste montante estão considerados, também, R$130 milhões de investimentos em ativos biológicos (matrizes). Continuamos a direcionar os investimentos para automação, logística, e sistemas (TI).

10) Ciclo Financeiro

A Companhia tem trabalhado na otimização do capital de giro, resultando na melhora do ciclo financeiro para 41,1 dias ao final do 3T14, ante 56,2 dias ao final do 3T13. Em termos percentuais, passamos para 10,8% da ROL no 3T14, ante 14,0% no 3T13. Essa melhoria reflete os resultados de projetos importantes implantados na Companhia, principalmente nas linhas de contas a pagar e contas a receber.

Na comparação com o 2T14, nosso capital de giro foi impactado principalmente em decorrência da recomposição dos estoques de grãos, assim como do aumento de estoques de produtos acabados no Brasil (comemorativos).


11) Fluxo de Caixa Simplificado

O fluxo de caixa simplificado (EBITDA - Variação do Ciclo Financeiro - Capex) alcançou R$459 milhões no 3T14, refletindo a melhora operacional da Companhia no período. No entanto, houve queda de 51,9% t/t, principalmente em decorrência do aumento de estoques mencionado na seção "Ciclo Financeiro", o que afetou negativamente o capital de giro no trimestre.

12) Resultado da Equivalência Patrimonial

O resultado de equivalência patrimonial gerado pela participação nos resultados de coligadas e controladas em conjunto (Joint Ventures), representou no 3T14 um ganho de R$8 milhões, ante uma perda de R$2 milhões no 3T13, o que representa um incremento de R$6 milhões a/a, decorrente principalmente do resultado da coligada UP! Alimentos Ltda.

13) Imposto de Renda e Contribuição Social

O imposto de renda e a contribuição social totalizaram despesa de R$83 milhões no 3T14, ante uma despesa de R$44 milhões no 3T13, representando uma taxa efetiva de 11,8% e 13,0%, respectivamente. Os principais fatores que levam a Companhia a apresentar uma taxa efetiva menor que a nominal estão relacionados ao benefício fiscal no pagamento de juros sobre o capital próprio, subvenções para investimentos, além de resultados de subsidiárias no exterior (vide Nota Explicativa 13.3).

14) Participação de Acionistas não Controladores

O resultado atribuído a acionistas não controladores de subsidiárias na Argentina, Oriente Médio e Europa, representou no 3T14 uma receita de R$5 milhões, ante uma despesa de R$6 milhões no 3T13.

15) Lucro Líquido

O resultado das melhorias operacionais da Companhia pode ser evidenciado no lucro líquido do período, que totalizou R$624 milhões, apresentando um crescimento de 117,5% a/a e gerando margem líquida de 7,8%, 4,0 p.p. acima do 3T13.

Em relação ao 2T14, houve crescimento de 133,7%, com expansão de margem líquida de 4,3 p.p.. No entanto, vale ressaltar que no 2T14 houve despesa financeira não recorrente relativa à gestão da dívida de longo prazo da Companhia (recompra dos bonds), conforme descrito na seção "Financeiras Líquidas", o que deve ser expurgado da análise t/t.

16) EBITDA

Todos os nossos esforços descritos neste relatório também se refletiram no EBITDA do 3T14, que atingiu R$1,2 bilhão, apresentando um crescimento de 61,3% a/a e 21,3% t/t. Tal resultado foi refletido em uma margem EBITDA de 15,2% no 3T14, ante 9,9% no 3T13 e 13,0% no 2T14, impulsionada principalmente pelo mercado Internacional.

17) Situação Patrimonial

Em 30.09.2014 o Patrimônio Líquido totalizou o valor de R$15,4 bilhões ante R$15,1 bilhões em 30.06.14, devido principalmente ao maior resultado líquido obtido no trimestre.

18) Juros sobre Capital Próprio e Dividendos

A reunião extraordinária do Conselho de Administração realizada em 18.06.14 aprovou a distribuição de R$361 milhões referente a juros sobre capital próprio, pagos em 15.08.14 (vide Nota Explicativa 26.2).

Mercado Acionário

No fechamento do trimestre, o valor de mercado da Companhia era de R$50,8 bilhões.

Desempenho das ações na BM&FBovespa (3T14)

Desempenho dos ADRs na NYSE (3T14)

Controle Difuso


Apêndice

Vendas por Canal - Brasil
(% da Receita Operacional Líquida - ROL)


*Desde janeiro de 2014, uma nova estrutura de canais de vendas foi adotada pela BRF a fim de adequar essa classificação à realidade atual da Companhia. Todos os clientes foram reclassificados para essa nova estrutura, conforme sua natureza, formando novos grupos com composição e tamanho diferentes dos existentes em 2013. Essa adequação atingiu principalmente os canais Auto Serviço e Varejo.

Vendas Internacionais por Região
(% da Receita Operacional Líquida - ROL)

Marketing e Inovação

No 3T14, comunicamos o lançamento de dois produtos que levantaram a nossa bandeira de Companhia moderna e inovadora.

Entre os destaques, tivemos o lançamento do Frango Fácil Sadia, que reinventou o frango assado. O filme do produto atingiu 91% dos consumidores e apresentou alta conexão com a marca Sadia, com um desempenho positivo em impacto, relevância, entendimento e intenção de compra.

Tivemos, ademais, o lançamento da primeira margarina aerada do Brasil, Qualy Aéra. A campanha impactou 88% dos consumidores (alta visibilidade) e apresentou forte conexão com a marca Qualy, sendo percebida como interessante e original.

Ainda no 3T14, houve divulgação do estudo BrandZ*, com ranking das 50 marcas mais valiosas da América Latina e Brasil, o qual apresentou a marca Sadia como a mais valiosa do Brasil na categoria de alimentos, seguida de Perdigão.

*Estudo BrandZ: TOP 50 Most valuable Latin America brands - Agência WPP e Millward Brown Vermeer, Setembro 2014.

Rating

A empresa está ranqueada como grau de investimentoBBB- pela Fitch Ratings e Standard & Poor’s e como Baa pela Moody’s; todas com perspectiva positiva. Ressaltamos que Fitch Ratings e Standard & Poor’s elevou o rating nacional da BRF para AA+.

Novo Mercado

A BRF aderiu ao Novo Mercado da BM&FBovespa em 12.04.2006, estando vinculada à Câmara de Arbitragem do Mercado, conforme clausula compromissória constante no seu estatuto social e no regulamento.

Gestão de Riscos

A BRF e suas subsidiárias adotam uma série de medidas previamente estruturadas e abordadas em sua política de riscos, para manter sob o mais rigoroso controle os riscos inerentes aos seus negócios. São monitorados os riscos de mercados de atuação, controle sanitário, grãos, segurança alimentar, proteção ambiental, controles internos e riscos financeiros. A Nota Explicativa 4 das Demonstrações Financeiras detalha essa gestão e maiores detalhes também poderão ser encontrados em nosso Formulário de Referência e Relatório 20F apresentados anualmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Securities Exchange Comission (SEC), respectivamente.

Balanço Social e Valorização do Capital Humano

Operando no Brasil com 47 fábricas, 27 centros de distribuição, TSPs, granjas e filiais de vendas e, no exterior, com 7 unidades industriais na Argentina e 2 na Europa (Inglaterra e Holanda), além de 19 escritórios comerciais, a BRF possui mais de 100 mil colaboradores no mundo.

Em sinergia com o movimento de transformação da Companhia e valorização do capital humano que vem sendo implementado por meio do Viva BRF, lançamos a nova Trilha de Aprendizagem dos Líderes BRF. Neste primeiro momento o projeto será focado nos supervisores da Companhia, que são responsáveis pela gestão direta de cerca de 95% dos colaboradores da BRF.

Um outro destaque do 3T14 relacionado ao capital humano da Companhia é o trabalho de capacitação dos colaboradores em aspectos obrigatórios, legais e SSMA que continuaram em andamento.

SSMA

A Gestão de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) continua apresentando avanços significativos. Em agosto de 2014, registrou-se a menor taxa de acidentes com afastamentos na história do SSMA na BRF, atingindo taxa de frequência (TF) de 0,89.

Plano de Stock Options

Atualmente a empresa possui 6.581.935 opções de ações outorgada a 225 executivos, com prazo máximo de exercício de cinco anos, de acordo com o estabelecido no Regulamento do Plano de Remuneração baseado em ações aprovado em 31.03.10 e modificado em 24.04.2012, 09.04.2013 e 03.04.2014 em AGO/E, contemplando presidente, vice-presidentes, diretores e outros executivos da BRF.

Relacionamento com os auditores independentes

Nos termos da Instrução CVM nº 381, de 14 de janeiro de 2003, a Companhia informa que a sua política de contratação de serviços não relacionados à auditoria externa se substancia nos princípios que preservam a independência do auditor.

Nos termos da Instrução CVM 480/09, a administração em reunião realizada em 30.10.2014 declara que discutiu, reviu e concordou com as informações expressas no relatório de revisão dos auditores independentes sobre as informações financeiras relativas ao período de três meses findo em 30.09.2014.

Disclaimer

As declarações contidas neste relatório relativas à perspectiva dos negócios da Empresa, às projeções e resultados e ao potencial de crescimento dela constituem-se em meras previsões e foram baseadas nas expectativas da administração em relação ao futuro da Empresa. Essas expectativas são altamente dependentes de mudanças no mercado e no desempenho econômico geral do país, do setor e do mercado internacional; estando, portanto, sujeitas a mudanças.

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